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HUMANIZAÇÃO NA SAÚDE PÚBLICA PODE REDUZIR MORTALIDADE


04.08.2010

Com idéias simples e inovadoras, profissionais da saúde pública têm alcançado grandes benefícios, como a humanização do sistema público, a redução da mortalidadee o aumento da qualidade de vida dos pacientes

A informação de que o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a principal causa de morte no Ceará e que a cada ano surgem 20 mil novos casos não poderia passar despercebida. Era preciso agir para que essa situação fosse alterada rapidamente. A resposta veio por meio da mobilização de um médico, acompanhado de mais 16 entidades, entre eles, universidades, entidades médicas e hospitais.

A ideia era encarar a prevenção primária, a assistência nas fases aguda e subaguda, a reabilitação e a prevenção secundária do AVC como prioridade. “Era preciso atitude. Posso ser audacioso, mas acredito que esta é a mais impactante medida na saúde pública“, afirma o neurologista e diretor da unidade de AVC do HGF, João José de Carvalho.

A criação do Programa de Atenção Integral e Integrada ao AVC, no ano passado, transformou o Ceará no primeiro estado do Brasil a ter uma política de governo específica sobre o assunto. Mais do que isso, reduziu em 85% a mortalidade e em 65% as complicações dos casos de AVC.

No tratamento agudo, o paciente é classificado por gravidade e recebe atendimento em uma unidade exclusiva, no Hospital Geral de Fortaleza, com 20 leitos e apoio de equipe multidisciplinar, monitoramento 24 horas e tomógrafo multi-slice – considerado o mais moderno do Estado. A equipe está preparada para atender 160 pacientes por mês. Só que atualmente são apenas 90 atendimentos. “O potencial não está sendo aproveitado, colocando em risco os benefícios desse projeto”, acrescenta. Isso porque nos últimos meses alguns dos 66 leitos criados para atender a demanda de AVC no hospital Waldemar de Alcântara estão sendo ocupados por pacientes com outras patologias.

Segundo o secretário da Saúde do Estado, Arruda Bastos, a situação está sendo normalizada com a ampliação de leitos e criação de novas unidades de saúde. “Os leitos já voltaram a ser exclusivos para o atendimento ao AVC no Waldemar de Alcântara”.

Parto Humanizado

Um outro bom exemplo vem do Hospital Gonzaguinha de Messejana. Nos últimos três meses, a unidade de saúde tem realizado o maior número de partos no Estado. Por mês, são 480. O aumento poderia ser motivo de preocupação. Pelo contrário, está sendo comemorado. O acréscimo se deve principalmente à execução do “Parto que te Quero perto”. O projeto permite que o pai da criança acompanhe a mulher antes, durante e após o parto, transformando-o em protagonista.

‘Ele participa de todo o processo. É responsável em dar massagens e caminhar com a gestante. Durante o parto, o pai pode até cortar o cordão umbilical e colocar a pulseirinha de identificação da criança. Isso ajuda a fortalecer o vínculo familiar”, explica o idealizador e diretor-geral do hospital, Euzébio Costa.

A iniciativa surgiu durante uma orientação com a antropóloga Marilyn Nations, no Mestrado em Saúde Pública. O projeto foi criado há um ano, baseado na lei 11.108, de 2005, que diz sobre a mulher gestante ter direito a um acompanhante durante o parto no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os criadores do projeto, no início houve resistência de alguns profissionais de saúde. O receio era de que o pai pudesse ser agressivo, desmaiasse ou prejudicasse a higiene do local. “Nada disso ocorreu. A receptividade tem sido muito boa. As gestantes ficam sabendo do projeto e querem ter o filho aqui, com a presença do pai”, acrescenta a enfermeira Ineida Sales.

O projeto atende apenas os partos normais e não requer grandes investimentos. No Gonzaguinha de Messejana, são seis salas de partos. Hoje, cerca de 45% dos acompanhantes escolhidos são os pais da criança. “A presença do pai na hora do parto quebra paradigmas e fortalece a humanização do parto”, comenta a antropóloga Marilyn Nations. A expectativa é que o programa se multiplique pelas outras unidades de saúde do Município.

A dona de casa Rocicler de Abreu, 27, é uma das beneficiadas. Com seis centímetros de dilatação, ela aguardava ao lado do marido o momento mais especial da vida do casal. “Desde o inicio, a minha gestação foi muito tranquila. A participação do pai no processo foi fundamental”, comenta. Enquanto massageia a esposa, o auxiliar Márcio Braga, 23, mostra-se satisfeito com o projeto. “Quero acompanhar todas as fases da vida do meu filho. Esse dia será inesquecível”, afirma, horas antes do nascimento do primogênito, Régis.

Fonte: Jornal O POVO

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